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| Lizzi Benites divulga imagem em que aparece usando a máscara enquanto faz abdominal com o auxílio de um saco de boxe |
A ex-panicat Lizzi Benites chamou atenção quando publicou no
Instagram, rede social de compartilhamento de fotos, uma imagem em que aparece
fazendo exercícios com uma máscara cobrindo o rosto. A ex-panicat começou a
usar a Training Mask 2.0 sob a orientação do personal trainer Rogério Sthanke
para potencializar os resultados dos treinos. Vendida com a proposta de simular
altas altitudes, os educadores físicos que utilizam a máscara afirmam que ela
aumenta o gasto calórico, a frequência cardíaca e a quantidade de glóbulos
vermelhos no sangue. No entanto, fisiologistas ouvidos pelo UOL Dieta e
Boa Forma questionam a capacidade da máscara em diminuir o percentual de
oxigênio no ar inspirado.
"O ar que eu respiro agora tem 21% de oxigênio e se eu
pegar um recipiente com meio litro de ar, ele continua tendo 21% dessa
substância. O que acontece em altas altitudes é uma redução do percentual de
oxigênio no ar e, para a máscara reduzir essa quantidade, ela teria que estar
ligada a um aparelho", explica Jomar Souza, especialista em Medicina do
Exercício e do Esporte e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do
Exercício e do Esporte (SBMEE). Souza afirma que, para aumentar os glóbulos
vermelhos na corrente sanguínea e, assim, favorecer a musculatura, a redução do
percentual de oxigênio é essencial.
"No passado, alguns estudos foram feitos com câmaras
hiperbáricas em que o atleta ficava por algumas horas para se adaptar a altas
altitudes, mas não adiantava, pois a adaptação era pequena", pondera
Luciano Capelli, professor e fisiologista do Centro de Medicina da Atividade
Física da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Ainda que a máscara falhe em simular altas altitudes, ela
diminui a oferta de ar durante as atividades físicas, o que torna a respiração
mais difícil e exercita a capacidade pulmonar. "No começo é estranho
porque você não está acostumado. Uma aluna minha sentiu dificuldade pra
respirar, ficou um pouco tonta e, depois do treino, ficou com um pouco de dor
no peito. Mas depois do segundo treino já ficou mais fácil", conta o
personal trainer Francisco Dragone, que também importou a máscara.
Antes de usar com os alunos, Dragone testou a máscara
durante o treino de musculação e na corrida. "Notei que a frequência
cardíaca aumentou de 20 a 30% e isso melhora o gasto calórico, além do
condicionamento físico", justifica. Para Capelli, no entanto, a perda calórica
não tem relação com a dificuldade maior ou menor de se respirar.
| A máscara não machuca ou incomoda e pode ser adquirida pelo site do fabricante por US$79 doláres |
Treino avançado
Sthanke conheceu a Training Mask por alguns amigos que
praticam MMA e atletas de alto rendimento. Ele afirma que os alunos precisam
passar por uma avaliação antes de usar a máscara. "Não há uma
contraindicação para usar o dispositivo, mas não é qualquer aluno que está
preparado para usá-la. É mais para os avançados que já tem um bom
condicionamento físico", recomenda.
Alguns alunos também podem ter fobia de usar a máscara
durante os exercícios físicos. "Uma aluna minha tinha um nível ótimo, mas
sentia fobia quando colocava a máscara na boca e ela acabou não se
adaptando", exemplifica Sthanke. Os personal trainers ouvidos pelo UOL
Dieta e Boa Forma garantem que a máscara não machuca e não incomoda. "Ela é
superprática e tem duas partes, uma de plástico, que vai na boca, e a parte de
velcro, que passa entre as orelhas. É preciso higienizar com álcool gel, além
de lavar essa parte de tecido, que fica em contato com uma área de bastante
suor", indica Dragone.
É possível adquirir a Training Mask 2.0 pelo site do fornecedor
por US$79 dólares. "Mas já tem alguns representantes que oferecem o
dispositivo aqui no Brasil por R$ 240", destaca Sthanke.
E no futebol?
Como o dispositivo não diminui o percentual de oxigênio no
ar inspirado, ela tem pouca eficiência para os jogadores de futebol que vão
para locais com grande altitude, como a Bolívia. Os clubes Grêmio, Atlético Mineiro e Palmeiras afirmaram que não
fazem uso dessa máscara para adaptação.

