O medicamento a ser testado será o Truvada. O uso dele como
estratégia de prevenção já foi demonstrado pelo estudo internacional Iniciativa
de Profilaxia Pré-Exposição (iPrEx), do qual o Brasil fez parte. Nos Estados
Unidos, o uso preventivo do comprimido é aprovado. No Brasil, é permitido
somente para o tratamento da doença – não é adotado como preventivo.
“O objetivo é oferecer o medicamento para as populações mais
vulneráveis a adquirir o HIV”, explica a infectologista Brenda Hoagland,
coordenadora do projeto na Fiocruz. Ela diz que é necessário fazer um estudo
demonstrativo para que o uso da pílula como prevenção seja autorizado no país.
De acordo com a pesquisa iPrEx, a utilização diária do
Truvada por homens saudáveis, que fazem sexo com homens, reduziu de 43% a 92% a
infecção pelo vírus, dependendo da adesão da pessoa ao tratamento. O estudo
avaliou 2.499 homens sem o HIV.
Entretanto, a infectologista ressalta que o remédio não
substitui o uso de preservativos e não tem ação sobre as demais doenças
sexualmente transmissíveis. “O remédio é uma proteção adicional para aquelas
pessoas com alto risco de adquirir o HIV que, por alguma razão, a proteção
falha com o uso do preservativo. A gente não estimula o não uso do preservativo
e nem estamos substituindo o uso do preservativo pelo comprimido”, explica.
A pesquisa terá início com o recrutamento dos voluntários.
No total, serão 400 voluntários, sendo 200 no Rio de Janeiro e 200 em São
Paulo. O perfil buscado é homem com mais de 18 anos, sem o vírus HIV e que faz
sexo com homens ou travestis.
De acordo com o infectologista e especialista em pesquisa
clínica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Alexandre Naime Barbosa, os
estudos sobre a prevenção e cura do vírus HIV têm alcançado resultados
animadores no mundo. Atualmente, há pesquisas de vacinas terapêuticas e
preventivas.
A vacina terapêutica estimula o organismo de um indivíduo
infectado pelo HIV a montar uma resposta imunológica contra o vírus. Pesquisa
feita pela Universidade de Barcelona conseguiu demonstrar o controle temporário
do vírus com a vacina.
"A vacina conseguiu fazer com que os indivíduos
ficassem, pelo menos um ano, sem ter que tomar os remédios. O que, às vezes,
pode ser útil em um cenário em que o indivíduo esteja tendo muitos efeitos
colaterais, por exemplo. Isso pode ser para o futuro, uma estratégia a ser
adotada".
Um tipo de vacina preventiva foi testado na Tailândia. “Ela
(a vacina) conseguiu cerca de 40% de proteção em um ano, em uma população de
altíssimo risco, principalmente homens que fazem sexo com outros homens, e
profissionais do sexo. Isso durante um ano. Ela mostrou que tem uma eficácia
não tão ampla (40%) em relação à prevenção do HIV. Esse é o resultado mais
conhecido”, detalhou Barbosa.
Em outra pesquisa sobre o tratamento do HIV, foram
divulgados em junho casos de dois pacientes com o vírus. Eles foram submetidos
ao transplante de medula óssea e alcançaram a “cura funcional”, situação em que
os níveis do vírus no sangue caem e são incapazes de desencadear sintomas.
“Eles receberam transplante de medula óssea, continuaram
usando medicação durante a fase pós-transplante e conseguiram, então, erradicar
o vírus da circulação sanguínea. São casos com acompanhamento entre dois e
quatro anos e até agora o vírus não voltou na circulação”, disse.
O infectologista alerta, no entanto, que são casos isolados.
“É importante dizer, deixar muito claro, que esse não é um tratamento de rotina
e muito menos um tratamento a que as pessoas podem se candidatar. Isso são
casos extremos, são situações em que o indivíduo teve um câncer no sangue, um
linfoma, e a quimioterapia não funcionou. Então, o último recurso é o transplante
de medula óssea”.

